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Encontros do Fórum

Vídeo do 1º Encontro do Fórum InovaCidades

O Fórum InovaCidades foi lançado em 18 de fevereiro de 2019, em São Paulo, e reuniu prefeitos, secretários e dirigentes municipais que trabalham com a agenda de inovação na gestão pública.
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Pilares de atuação: Governança e Planejamento, Ambientes de Inovação e Soluções Inovadoras

A implantação de um projeto de inovação na gestão e de cidade inteligente é um tema amplo e transversal que, para ser feito de forma efetiva, depende de dois fatores críticos: liderança e resiliência de projetos.

Quando falamos de liderança no contexto da cidade nos referimos aos Prefeitos, chefes do Poder Executivo, que precisam empoderar quem lidera o processo de inovação a atuar transversalmente em todas as pastas municipais, passando a todo o secretariado a relevância da pauta como uma pauta geral de governo. Isto evita um problema comum na implantação de projetos e ações de inovação, que exigem uma visão holística e transversal dos problemas municipais, de resistência de pastas que realizam atividades-fim devido a uma percepção de possível ingerência no âmbito da sua competência por outra pasta.

A tendência das pastas que tratam do tema de inovação é figurarem como pastas meio, menos comprometidas com o atendimento de demandas imediatas do dia-a-dia para serem capazes de pensar “fora da caixa” em alternativas de abordagem dos problemas. As pastas-fim precisam ver as pastas de inovação como parceiros estratégicos que vão possibilitar uma melhoria na sua realidade, e esta percepção depende em grande parte da percepção do próprio chefe do executivo. 

Já a resiliência de projetos é um imperativo diante da realidade de que os projetos capazes de verdadeiramente transformar as cidades são de médio e longo prazo. No contexto político do Brasil muitos governantes se prendem demais a questões imediatas, priorizando ações com impacto imediato que entendem ser capazes de dar um resultado eleitoral mais palpável. Hoje há uma maior percepção de que esta é uma visão fadada ao fracasso e muitos gestores percebem a importância de pensar para além do período do próprio governo.

O planejamento de médio e longo prazo pode se dar por soluções tecnológicas que permitem dotar tanto o planejamento quanto o acompanhamento da execução de projetos de maior interatividade e transparência, como a pauta de eGovernment, estratégica para mudar a perspectiva de democracia participativa no Brasil, viabilizando um processo de implantação de cidades inteligentes capaz de dialogar com as diferentes realidades e demandas locais.

O tema de Ambientes de Inovação é outro ponto essencial quando falamos das demandas e inovação nas cidades. Desde 2015 o Brasil vem passando por um processo de transformação na realidade institucional dos sistemas de inovação, com a Lei de Inovação Federal ganhando em 2016 um caráter de Lei Geral, dando muitas atribuições e faculdades a todos os entes da Federação – União, Estados e Municípios. Temos igualmente três níveis de organização dos nossos sistemas de inovação do ponto de vista legal, mas realidades muito diferentes quanto ao acesso a recursos, em especial quando falamos de cidades de menor porte.

Este tema vai abarcar tanto a estruturação desses sistemas municipais quanto dos ambientes que os compõem como Parques Tecnológicos, Centros de Inovação Tecnológica, Incubadoras Tecnológicas, Espaços Públicos de Cowork e Aceleração, bem como Núcleos de Inovação. Vamos trabalhar a articulação entre as diversas esferas dos sistemas de inovação no Brasil com especial atenção às demandas municipais, sendo esta a esfera de governo mais próxima do dia-a-dia dos cidadãos, isso passa pelo suporte às cidades na estruturação dos seus sistemas locais de forma a aproveitar as oportunidades que as mudanças legislativas em âmbito federal trouxeram.

Por fim, temos o pilar de Soluções Inovadoras, que vai enfrentar os principais desafios dos municípios em incorporar o desenvolvimento que observamos no setor privado na área pública. Alguns temas centrais nesse pilar são os modelos de contratação com entes privados sem fins lucrativas e com fins lucrativos( Ex: Potencial de uso de Contratos de Gestão e modelos de parceria da Lei 13.109/2014, implantação e utilização dos Convênios para pesquisa, desenvolvimento e inovação previstos na Lei de Inovação, Provas de Conceito – POC e contratações “as a Service” – SaaS), a construção de uma plataforma de compartilhamento de recursos tecnológicos para acelerar a adoção de novas tecnologias pelas cidades aproveitando a experiência e os investimentos feitos por outros municípios, estruturação e modelos de contratação coletiva de desenvolvimento de soluções tecnológicas com possibilidade de adesão de interessados e o potencial e modelos de desestatização para viabilizar investimentos em infraestrutura de tecnologia e facilitar a incorporação de inovação nos serviços públicos.

Por Rodrigo Barros
Presidente Fundador do Fórum InovaCidades