Uma cidade inteligente é apenas aquela mediada pela alta tecnologia? Qual é o salto que o setor público deve dar para administrar uma smart city? Para a professora da pós-graduação em Gestão de Políticas Públicas da USP Ana Carla Bliacheriene, “cidade inteligente significa um município que seja capaz de captar os dados, fazer a curadoria deles e transformar em inteligência para o servidor público da sua cidade”. A afirmação foi feita durante o webinar Transformação Digital nos Municípios, que reuniu cerca de 130 pessoas (e já teve mais de 1000 visualizações no YouTube) em 27 de agosto pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo da Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Para a professora, é essencial fazer um diagnóstico local para inovar nas cidades. “Vender poste inteligente não é fazer cidades inteligentes. A gente precisa de um diagnóstico dos gargalos da cidade. E para isso precisa de diagnóstico prévio”, afirmou.

Vitor Fazio, coordenador na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia da Prefeitura de São Paulo, participou da mesa de debate como representante do Fórum, e frisou a importância de realizar diagnósticos e testagens em ciclos curtos ao inovar na gestão pública, mas questionou a capacidade dos governos hoje para realizar isso. Fazio também concordou que o foco de uma cidade inteligente não deve ser a tecnologia, mas as pessoas. Neste ponto, Paulo Miranda, diretor da Procempa e representante da FNP no evento, indicou a dificuldade de visão dos gestores para inovar, segundo ele pela imagem de que inovação é algo que diz respeito apenas à tecnologia, e que esse é um campo limitado ao departamento de TI. Também participaram do debate Zuleica Goulart, do Programa Cidades Sustentáveis, Daniela de Cássia, prefeita de Monteiro Lobato (SP), e Fernanda Campagnucci, da Open Knowledge Foundation Brasil. Assista à gravação.

Leia também